crossroads

Estou devendo detalhes: essa semana está sendo de grande impacto por aqui. Depois de muito PENSO, avisei meu chefe neste Dia do Trabalho (que aqui não o é) que deixarei a empresa no dia 1º de julho, na virada do ano financeiro. Terão sido 4 anos e 4 meses de casa.

Optei por dar dois meses de antecedência, na parceria, pra dar tempo de encontrar um substituto enquanto ainda estou aqui, e de preferência fazer com que ele/ela comece antes de eu sair, pra eu poder dar as barbadas pessoalmente.

O chefe entendeu, e pro meu alívio foi uma conversa tranquila. Foi também longa; ele apresentou umas alternativas pra ver se não tinha mesmo como adaptar minhas responsabilidades pra me fazer ter o interesse de ficar… Mas não. Discutimos a situação da empresa de modo geral, os próximos passos, e como converter essas mudanças (tem outras duas pessoas que não devem mais estar aqui em julho) em boas oportunidades, recrutando direito.

Feito isso, no dia seguinte (ontem) tratei de consolidar aqueles planos de finalmente conhecer a Europa. Comprei minha passagem. Saio dia 15 de julho em direção a Paris via Shanghai, e volto saindo de Roma, por Beijing. Consegui um preço bem razoável nos voos (Air China, né).

Três sólidos meses de mochilão, sob a sincera bênção da Gemma, que não vai poder ir (último semestre da faculdade). A hora pra mim é agora, não adianta. Se não fosse por todo um ALINHAMENTO apontando isso, eu preferiria procurar um emprego novo e só sair do atual com algo já garantido. Mas não vai ser assim, vai ser eu torrando minhas economias na Europa, e depois torcendo pra que as sobras não precisem sustentar o desemprego por muito tempo.

Fica complicado, portanto, ainda por cima pagar aluguel estando fora, e a Gemma como estudante também não poderia segurar o rojão. Então nós vamos sublocar nosso apartamento pelos 3 meses, e a Gemma vai ficar na casa dos pais. A princípio eu queria achar alguém conhecido pra vaga, mas estamos abrindo isso; botei um anúncio online e na verdade até já temos um candidato. Pra ser mais exato, duas candidatas: duas amigas que vão se mudar de Perth pra Sydney na mesma época e não se importariam de dividir a cama e o apê. Devemos fechar o acordo nesse fim de semana.

Esses últimos dois meses no trabalho provavelmente serão bem pegados, com projetos que preciso liquidar antes de sair, adicionados ao processo de seleção e transição. Mas tudo que eu quero é ficar planejando a viagem o dia inteiro. E é difícil domar a mente.

Ah, e estarei em Hong Kong de 20 a 27 desse mês, pra uma conferência sobre investir no Brasil. Minha derradeira viagem de negócios.

O que fazer da vida depois? Vou tentar voltar pra publicidade. Vim pra cá com a curiosidade de descobrir se o mercado publicitário de primeiro mundo poderia ser mais civilizado – com horários decentes, ou ao menos recompensados – e até agora não pude conferir em primeira mão.

Sem portfolio fica impossível entrar como redator, então penso em atacar de atendimento dessa vez. Mesmo assim pode ser mais difícil do que o esperado, então não descarto cargos de marketing em empresas que me interessem. Outra via a considerar seria algo relacionado com MUSIC BUSINESS. O que é certo é que ganharei menos e trabalharei mais, heh. Mas o importante é eu encontrar algo que me MOTIVE, um ramo que eu não queira soltar nunca mais. Se isso acontecer, é vitória.

new(ish) ipad

Recebi hoje o iPad que comprei online outro dia, direto da Apple. Mesmo preço da loja, com entrega e mensagem personalizada gravada no verso.

Aliás, nessa parte da compra, eu queria tomar proveito mas não sabia o que escrever. Fiz uma pesquisa pra ver se achava uma citação espertinha, de preferência sobre tecnologia, mas quase nenhuma cabia no espaço, incluindo autor. Na verdade a única que achei era “Men have become the tools or their tools”, ou algo assim, de Thoreau. Nah.

Pensei em botar apenas “OOH, SHINY”, mas depois imaginei que muitos fariam o mesmo. Nessa de botar minha marca, cogitei facilitar a vida de quem encontrasse o iPad ao escrever um contato meu (aqui há chance de quererem devolver ao dono). Então me dei conta: não, aí estraga tudo se eu quiser revender.

Mas no fim, mandei esse fator às favas optando por algo que só vai ter graça se eu ficar com o iPad até ser avô ou, melhor ainda, ENTERRÁ-LO: “This was cutting edge in 2012″. Os arqueólogos do futuro agradecerão pelo atalho.

O retina display – tela com resolução melhorada – é mesmo bonitaço. Fora isso, não tem muita diferença pro iPad 2. Não é nitidamente mais rápido, a câmera do Facetime continua péssima, e o troço não ficou menor, mais fino nem mais leve. Inclusive até ganhou peso, o que eu também não chegaria a notar, mas li.

Todavia, continua sendo um aparelho impressionante, sobretudo pra quem nunca teve tablet. É nos apps que o bicho pega, e o iPad tem uma coleção sem igual. Já baixei alguns básicos e ainda tem tantos outros que parecem geniais.

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O dia de hoje também marca o aniversário da Harbour Bridge, a ponte de Sydney. Oitenta anos. Talvez tenham visto isso os que já usaram o Google hoje. Ou talvez esses desenhos do logo sejam baseados em localização e esse só tenha pintado por aqui.

16 de março de 2012

Dia em que completei um ano de residente australiano.

Consequentemente, dia em que dei entrada no pedido de cidadania australiana.

E na segunda-feira completar-se-ão dois anos desde que eu conheci a Gemma.

Hoje estamos indo pro interior, na hora do almoço. Uma viagem de sete horas até um pequeno vilarejo chamado Nundle (pronuncia-se NANDO, praticamente), com seus 289 habitantes. Lá se casa amanhã uma prima da Gemma. Voltamos no domingo.

semana 6

Devolvi o carro no dia seguinte, sexta de carnaval, então tivemos que usar ônibus e táxi. Nosso hotel era em Boa Viagem, e o translado pro Recife Antigo ou pra Olinda, que não seria nada de muito longínquo em condições normais, tornou-se traumático quando carnaval misturou-se com chuva e alagamentos.

Passamos o sábado em Olinda (chove-para-chove-para), e perdemos umas quatro ou cinco horas entre a decisão de ir embora e o chegar no hotel. QUATRO OU CINCO HORAS. Dezessete quilômetros. Absurdo o despreparo da cidade pro evento. Alô governo (1 de 2): não espere que ninguém dirija bêbado sem antes providenciar transporte público minimamente decente, frequente, civilizado.

No domingo fomos pro Rio de Janeiro, com escala em Salvador. Na hora da conexão, vejo a ÂNGELA, nossa amiga gaúcha que também mora em Sydney, na frente do portão de embarque. Estava NO MESMO VOO. Bizarro. Depois nos contou da mudança de planos na última hora pra não passar o carnaval todo em Salvador, e que tinha comprado ingresso pra Sapucaí… NO MESMO SETOR QUE A GENTE. Ângela estava no fim de uma grande viagem de mais de seis meses pelo mundo.

Fomos recepcionados no Rio pelo adorável casal Gustavo e Beth, amigos dos meus pais. Mesmo no meio de 2011, eu não conseguia encontrar pousada no Rio que não fosse por pacote de carnaval completo, então eles nos salvaram a pele ao oferecer pouso. E ainda foram muito hospitaleiros. O Flávio era o único dos três filhos que estava lá, também muito simpático.

O apartamento deles, muito bacana, ficava num condomínio na Barra da Tijuca. Demorava um tanto chegar nos bairros mais turísticos, e tempo é algo que nos faltava. Mas deu pra mostrar pra Gemma Leblon, Ipanema, o Arpoador e a pontinha de Copacabana, antes de almoçarmos, na segunda de carnaval, com a Mirella e a Carol, na Gávea. Depois fomos pro Aterro do Flamengo, onde tocava o famoso bloco Sargento Pimenta, que faz versões carnavalescas de músicas dos Beatles. Entre as milhaaares de pessoas aglomeradas ali, quem salta DO NADA pra cima da Gemma? ÂNGELA. Tá doido.

Ficamos pouco nesse bloco porque queríamos voltar pra descansar um pouco antes de ir pro Sambódromo. Mas a volta de bus foi tão complicada que chegamos até atrasados – isto é, não apenas faltou tempo pra descansar, mas tivemos até que correr pra tomar um banho.

Depois, outra jornada pra chegar lá. O Gustavo dirigiu até a lagoa, deixamos o carro lá, e caminhamos até a estação de trem. Chegamos várias estações depois, e ainda demos uma mancada, perdemos a hora de trocar de linha e tivemos que voltar. Saindo da estação, maaais uma pernada até chegar na entrada correta pro nosso setor. Subimos as escadas e o previsível se cumpriu: os assentos impressos no ingresso de nada valiam, o setor estava COMPLETAMENTE SUPERLOTADO, e não tínhamos aonde EXISTIR ali. Gustavo e Beth não se acanharam e se enfiaram lá, ignorando os protestos de quem já estava lá. Eu não consegui e me expulsei para o vão que deveria ser uma escadaria de saída, limitado por duas cordas. Tava bem irritado a princípio com essa desorganização toda, mas quando finalmente me aquietei, tudo ficou ok, mesmo que dois segundos depois, todo aquele vão “de saída” estivesse tão abarrotado quanto todo o resto das arquibancadas.

Mas que lindo espetáculo é, de fato, a Sapucaí. Vale muito a pena, realmente uma daquelas coisas pra lista de “tem que fazer uma vez”. Apesar do mencionado atrolho, o setor 10 é bem localizado, fica perto do recuo da bateria, aquela valeta mais perto do fim onde os percussionistas estacionam pro resto da escola passar, pra depois serem os últimos a sair da avenida.

Gostei bastante da União da Ilha, que a grosso modo falou de Londres/Inglaterra, e da Unidos da Tijuca, que acabou ganhando. Foi legal isso, pois se a campeã fosse uma das 6 que desfilaram na noite anterior, a gente ia ficar com aquela sensação de ter perdido algo massa. Todos achamos o título muito merecido. Aquele boneco-mola foi um toque sensacional, e muito legais também os homens de barro, o carro que era um aeroporto com “a realeza” desembarcando, entre outros.

Voltar pra casa foi aquela via crucis de novo, e o sol estava alto quando chegamos no condomínio. Cataploft. Na terça de carnaval não houve força pra muita coisa, exceto um bloco mais comedido ali na praia da Barra mesmo. Até voltar disso acabou sendo uma pernada meio homérica. As distâncias enganam no Rio, as quadras são enormes, uma vibe meio Los Angeles quando se passa de São Conrado… Beijing também era assim. Ah, são só seis quadras = duas horas de caminhada.

E dê-lhe cheiro de mijo na cidade toda. Especialmente na beira da praia. Alô governo (2 de 2): não espere que ninguém faça xixi na rua sem antes providenciar banheiros públicos minimamente decentes, bastantes, civilizados. Uma hora na praia a Gemma teve que caminhar um monte até um posto, daqueles numerados pela orla, e pagar uns dois reais pra entrar numa fila e usar uma latrina toda cagada. Indigno.

A quarta-feira de cinzas foi nosso dia de turismo, mas não deu pra fazer muita coisa. Começamos pelo Cristo, almoçamos no topo da Santa Teresa, descemos as lombas e seguimos até a Lapa. Vimos aquela escadaria dos mosaicos (as seen in Snoop Dogg’s video), no pé da qual atravessamos um bloco só de maconheiros. Voltamos pros arcos da Lapa pra tomar umas, e mais tarde a Carol nos encontrou de novo, dessa vez com seu namorado, que é São Leopoldo e trabalha na Vice brasileira. Parceria. Por volta das onze fomos pra casa, depois de constatar que cobravam 25 mangos pela entrada no Carioca da Gema – um trocadilho que portanto a Gemma só saciou na faixada.

Quinta seria o dia de fazer as compras que não fizemos durante toda a viagem pra não ficar carregando, e por ter limite de bagagem mais murrinha nos voos domésticos. Só que deu errado – fomos no Barra Shopping, onde não tem nada do tipo LEMBRANCINHA, e onde as coisas que a Gemma queria ver tipo bolsa ou roupa eram muito mais caras. Fail. Passamos no Carrefour pra comprar guloseimas e foi isso. Uma última janta com os Sampaio, um jogo do Fluminense na tv (despachando o Botafogo nos penais), e então o casal nos levou até o aeroporto. Santos!

Encerrou-se então o passeio, num Galeão vazio e com tudo fechado à meia-noite. Nosso voo saiu às 3 da manhã rumo a Dubai, e eu já tentei me regular com a hora de Sydney, dormindo apenas quando Sydney dormiria e tal. Em Dubai, uma parada rápida pra comprar álcool mais barato que no Rio ou em Sydney, verdadeiras barganhas. Depois um segundo trecho de 14 horas, no qual permaneci acordado, pois seria dia em Sydney. Vi OITO filmes durante essa viagem.

EPÍLOGO

Os pais da Gemma nos receberam no aeroporto e nos levaram pro nosso apartamento. Estava tudo em ordem. Dormimos depois da uma da manhã, e eu acordei às quatro, acho. Vi o sol nascer bonito. Enquanto a Gemma foi pra casa dos pais, eu encontrei o Titanic pro almoço, cansado pra caralho. Fui pra casa, tentei resistir, mas me entreguei à cama às sete da tarde. Pra minha surpresa, dormi até as quase sete da manhã seguinte, e desde então já fiquei zero bala, sem problemas de jet lag. Ou minha estratégia de voo deu muito certo por vias tortas, ou não sei o que houve.

A primeira semana foi muito lerda no trabalho pra mim, e na verdade ainda tá assim. Tô meio de saco cheio e talvez mude de emprego um pouco antes do planejado. Talvez não. A Gemma também não se reintegrou tão fácil, com compras de super tão mais caras, tempo ruim a semana toda, a volta às aula iminente e as melhores amigas dela estando no exterior. Mas ontem fez um solzinho e tudo já ficou bem melhor.

Ela gostou tanto que sugere da gente passar um ano no Brasil, um dia. Nada acontece antes do fim de 2012 e do curso dela, mas tem isso aí na manga. Por enquanto o negócio é procurar um novo rumo profissional, tanto eu quanto ela. Até porque se a gente se encontrar nesse sentido, vai ser mais improvável largar tudo.

semana 5

De volta a Salvador, só mais uma noite, e a sensação de que perdemos muito ficando pouco tempo na capital. Ainda mais porque estavam na função de preparar pro carnaval, o que significa, por exemplo, a beira-mar da Barra virada em tapumes e andaimes, enquanto os bares e restaurantes que deveriam estar ali eram convertidos em camarotes pra folia.

No domingo 12 voamos pra Maceió. Fomos positivamente surpreendidos pelo PORTE da cidade, que sem ser muito grande (e aparentando um trânsito tolerável) tinha um bom aeroporto, um bom shopping, ruas amplas. E uma orla bonita. Pareceu uma capital bem tranquila, mas vale dizer que só a vimos no domingo.

Tínhamos pego no aeroporto o carro alugado que levaríamos até Recife pela famosa rota AL-101 / PE-060. Iniciamos a jornada na manhã de segunda, depois de comprar um cabo que permitisse o uso dos nosso iPods no rádio do Celtinha básico, que além do rádio só tinha mesmo ar condicionado. A estrada é mesmo excelente e vale muito a pena. Estranho ser um trajeto de tão poucos carros, sendo tão belo e de bom pavimento, no geral. A quilometragem entre as duas capitais é pouca, mas o divertido é ir parando, sem pressa. Dormimos uma noite em Maragogi e duas em Praia dos Carneiros.

Maragogi foi uma parada tranquila, um centrinho bem próximo da praia. Não parecia ter muito turista fora a gente. O quarto – o único que não reservamos – saiu barato, o mais barato de todos até, e bem jeitoso. Na Praia dos Carneiros teríamos nossos dois dias mais BAIXADOS, numa pousada mais remota, na frente do mar. Foi demais, e ainda por coincidência caiu no Valentine’s Day.

Partimos pra Porto de Galinhas com o intuito de passar o dia lá, talvez fazer um passeio às piscinas naturais, e seguir pra Recife só à noite. Mas quando chegamos lá, não curtimos a VIBE. Bem atrolhado. O dia também estava nublado, feio. E ainda por cima tinha aqueles caras CHATOS PRA CARALHO te abordando pra empurrar esses passeios ou “dar” informações – uma praga que arruinou também outras tentativas de parada ao longo da nossa road trip. Tem uns que SE JOGAM NA FRENTE DO CARRO, outros TE PERSEGUEM DE MOTO, é muito surreal. Fico muito de cara e com vontade de ir embora (pra não dizer ATROPELAR).

Enfim, acabamos apenas almoçando em Porto de Galinhas, e indo pra Recife mais cedo que o planejado. Aí que o tempo pela primeira vez jogou contra: começou a chover, chover, e não parou até sairmos de Recife, o que avacalhou bastante nossa experiência de carnaval recifense.