stay upright

Nunca dirigi aqui na Austrália, com exceção do último feriado de Páscoa, e desde então a minha carteira brasileira venceu e eu me tornei obrigado a fazer uma carteira de New South Wales, caso queira manter essa carta na manga. Resolvi fazer – até porque assim eu tenho o que usar quando visito o Brasil, sem precisar renovar a CNH.

A boa notícia é que, sendo macaco velho, tem como “converter” a carteira brasileira pra adquirir a australiana sem passar por todas as etapas que um jovem australiano encararia – primeiro uma carteira de aprendiz, cheia de restrições, depois DUAS carteiras preliminares (ainda limitadas), e só então, uns TRÊS ANOS depois, a carteira PLENA. Basta traduzir a CNH, passar por um teste teórico e um prático, e é isso. Não vai ser tão fácil – bastante coisa pra estudar, e vou precisar treinar mais atrás do volante-do-lado-errado – mas podia ser pior.

Acontece que resolvi também estender a CAJADADA ao coelho ao lado: uma vontade latente de poder dirigir VESPAS. Não necessariamente desta marca, então devo dizer SCOOTERS. É um semi-desejo meio velho, e julguei ser um bom momento pra ir atrás, já que vou estar na função.

Mas aí é outra história. Eu que mal subi em moto nessa vida entro no ciclo pelo comecinho: um curso básico antes de ter a carteira de aprendiz. Antigamente o sujeito fazia o teste teórico, saía com a carteira e boa sorte: sem poder nem ter um instrutor (tratando-se de uma moto), o cidadão tinha que se virar sozinho, e podia fazê-lo no meio do trânsito, se quisesse. Hoje o governo obriga a fazer esse pré-cursinho, de apenas sete horas divididas em dois dias seguidos.

Fiz o curso nessa quarta/quinta, e ainda bem. Muito útil, sem sombra de dúvida. Eram umas vinte pessoas, divididas entre quatro instrutores. No meu grupo de cinco, eu fui o único guri de apartamento que preferiu usar uma automática em vez de manual (o que significa que só poderei dirigir motos automáticas depois). E ainda assim eu fui o único que chegou a cair da moto. Patético. Nem sei como aconteceu, foi muito rápido, enquanto eu fazia uma curva bem devagar. Enfim.

De qualquer modo, retirei o certificado de conclusão desse cursinho, e agora devo levá-lo ao RTA (correspondente ao Detran) e fazer a prova teórico pra moto. Marquei pra fazer no sábado que vem, logo antes da prova teórica pra carro, pela qual eu começo a função das quatro rodas.

No intervalo da segunda manhã do curso, logo depois do mico da queda e com a confiaça um pouco abalada, fiquei repensando se moto era mesmo pra mim, se eu queria ir até o fim com isso, se devia sequer ficar e completar o curso. Cogitei de leve a desistência, mas como já tinha inve$tido, decidi não amarelar. Continuei, e fiz bem, pois o restante da aula foi melhor, e até me deixou ansioso pra praticar com mais tempo, ao meu próprio ritmo.

Pelo jeito agora vou ter que comprar uma MOTOCA, porque não conheço ninguém que tenha uma pra emprestar – e se eu não praticar, vou me dar mal quando chegar a hora do teste pra próxima fase da habilitação. E eu preciso evoluir pra essa próxima fase dentro de um ano, senão “reseta” tudo: vence minha carteira de aprendiz e eu volto à estaca zero, precisando até refazer esse mesmo curso. Jogar tudo fora não rola.

Estou no momento tentando decidir se compro uma scooter nova ou usada. Nova é sempre bom, tá tudo em ordem e não tem donos anteriores pra culpar sobre qualquer problema escondido… Porém, eu certamente vou derrubar essa merda mais uma ou duas vezes, e isso doeria bem mais com uma moto novinha em folha do que uma já arranhada. Então acho que vou preferir uma usada, contanto que bem cuidada no que diz respeito a todas as exigências, tudo que tem de estar funcionando pra moto ser registrada sem problemas.

É engraçado adentrar de uma hora pra outra um público-alvo inteiramente novo. Eu que sempre passei reto por qualquer coisa que tivesse a ver com moto, agora paro e presto atenção. Anúncio de acessórios pra motoqueiro? Ih, de repente eu tô de olho em todos. Afinal, os gastos dessa brincadeira irão além da moto em si e dos gastos com registro, papelada e seguro. Artigos de proteção são em geral bem caros, e as opções são muitas, tem que pesquisar. Capacete é o óbvio. Luva, bem recomendável. Penso também em investir em proteções rígidas pra joelho e cotovelo, tipo de skatista – foram essas as partes que doeram um pouco com a queda ridícula do curso preparatório, e certamente as que mais sofrem sempre. Acho que assim poderei abrir mão de jaqueta, botas ou calças especiais – coisas que, é bom dizer, eu certamente não dispensaria se planejasse ter moto DE VERDADE, em vez de lambretas peidorrentas limitadas à cidade. Nunca pretendo viajar de moto.

Mas uma coisa de cada vez. O foco essa semana tem que ser no estudo do conteúdo teórico, pra eu não marcar touca no sábado que vem e tirar a bendita carteira, pra começo de conversa. Aí sim vamos às compras.

Aos interessados, aqui dá pra praticar online, ad infinitum, as provas teóricas do RTA.

4 thoughts on “stay upright

  1. moto é barbada (assim como bicicleta), mas o cara tem que estar sempre de olho aberto e não passar de 55 por hora. por mais que tu preste atenção, sempre tem uns jacú dirigindo carro, falando no celular e cortando a tua frente ao mesmo tempo. cuidado dobrado, o parachoque é o teu capacete. mas tranquilo… heh.

  2. O seu Milton aproveita para endossar as recomendações do Lique e dizer para não dispensar nenhum item de segurança. Para Dona Linéa? nem vou contar. ;)

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